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Juventude, serviço militar obrigatório e a guerra contra a oposição socialista

Estamos publicando a seguir o discurso proferido por por Tamino Dreisam, dirigente da Juventude e Estudantes Internacionais pela Igualdade Social (JEIIS) na Alemanha, no Ato Online do Dia Internacional dos Trabalhadores de 2026, realizado pelo Comitê Internacional da Quarta Internacional (CIQI) e pelo World Socialist Web Site (WSWS) em 1º de maio.

Discurso de Tamino Dreisam no Ato Internacional Online de Primeiro de Maio de 2026. Os discursos foram traduzidos para 14 idiomas, incluindo o português.

Nos reunimos hoje, no Primeiro de Maio, em um contexto de extrema gravidade política. A guerra e a crise não estão se aproximando — elas já estão aqui. O ataque ao Irã abriu uma nova frente na espiral de violência imperialista que está remodelando a ordem mundial, e nossa geração está sendo obrigada a pagar o preço.

Trabalhadores e jovens: não somos meros espectadores desta crise. Somos os seus alvos.

Todos os governos do planeta estão se preparando para a guerra e, nessa preparação, estão vindo atrás de nós. Em 5 de dezembro, o Bundestag [Parlamento] alemão aprovou uma nova lei sobre o serviço militar. A Lei de Autorização de Defesa Nacional dos EUA de 2026 determina o cadastro automático para o serviço militar obrigatório de todos os homens entre 18 e 26 anos. Na Grécia, as reformas da “Agenda 2030” prolongaram o treinamento, centralizaram todos os recrutas no exército e os encaminharam diretamente para as fronteiras.

Fuzileiros navais dos EUA treinando em Porto Rico para uma missão no Caribe. [Photo: @22nd_MEU]

A máquina de mobilização em massa está sendo reconstruída, não para defender nossas vidas, mas para entregá-las à guerra imperialista. Eles querem nos uniformizar, nos colocar em formação, nos levar para a frente de batalha e nos dizer que esse é o nosso dever patriótico.

Na Ucrânia e na Rússia, centenas de milhares de jovens trabalhadores foram massacrados. As classes dominantes do mundo imperialista estão trabalhando freneticamente para estender esse massacre à juventude de seus próprios países.

Contra essa campanha belicista está nosso camarada Bogdan Syrotiuk, de 26 anos, dirigente da Guarda Jovem dos Bolcheviques-Leninistas (JGBL) — o movimento da juventude trotskista nas ex-repúblicas soviéticas. Bogdan está detido em uma prisão em Nikolaev há dois anos, preso por sua oposição à guerra e à repressão da classe trabalhadora pelo regime de Zelensky. Ele enfrenta acusações de “alta traição sob lei marcial”, com pena de 15 anos a prisão perpétua.

Quais são as “provas”? Nove volumes de material político — artigos publicados no World Socialist Web Site, discursos proferidos num ato do Dia do Internacional dos Trabalhadores realizado pelo CIQI, um ensaio de Trotsky sobre a Revolução de Outubro, saudações de David North à Guarda Jovem. A acusação central do SBU [Serviço de Segurança da Ucrânia] é que o WSWS é uma “agência russa de propaganda e informação” — uma declaração de guerra contra toda a oposição socialista ao regime de Zelensky e, acima de tudo, contra o CIQI. O WSWS foi banido na Ucrânia um mês após a prisão de Bogdan.

Bogdan Syrotiuk mostrando uma imagem de Leon Trotsky em uma antiga edição soviética do livro "Dez Dias que Abalaram o Mundo", de John Reed, em abril de 2023.

A perseguição a Bogdan faz parte de uma ofensiva internacional contra a oposição socialista emergente à guerra imperialista. Aqui na Alemanha, o Sozialistische Gleichheitspartei foi colocado sob vigilância do Verfassungsschutz [Serviço de Proteção Constitucional] pelo “crime” de lutar contra o nacionalismo, o imperialismo e o militarismo. E a JEISS foi incluída na lista de “organizações anticonstitucionais”.

Nos Estados Unidos, o Memorando Presidencial de Segurança Nacional de Trump, de setembro de 2025, orienta uma ofensiva “de todo o governo” contra organizações “anticapitalistas” e “antiamericanas”, e ele tem ameaçado repetidamente invocar a Lei de Insurreição para colocar as forças armadas nas ruas americanas. Os Estados imperialistas pretendem criminalizar o próprio internacionalismo.

Declaramos nossa mais profunda solidariedade a Bogdan Syrotiuk. Exigimos sua libertação imediata e incondicional. A libertação de Bogdan é indissociável da luta contra a guerra e da tendência à ditadura.

A militarização da sociedade não ocorre apenas nos campos de batalha. Ela está se infiltrando em nossas escolas e universidades, que são subordinadas à propaganda de guerra e ao recrutamento militar. Os orçamentos da educação são drasticamente reduzidos e os programas sociais cortados — não porque não haja dinheiro, mas porque os jovens precisam ser levados a um ponto de desespero que os leve a se alistar. A destruição da educação pública é uma arma no arsenal da máquina de guerra.

Precisamos ser honestos sobre o que nossa geração herdou. Desde que nascemos, os Estados Unidos não passaram um único ano sem guerra. A crise financeira de 2008 devastou milhões de famílias da classe trabalhadora. As guerras no Iraque, no Afeganistão, na Síria e na Líbia tornaram-se características permanentes da realidade global. Permitiu-se que a pandemia de COVID-19 devastasse nossas escolas enquanto os governos protegiam os lucros dos ricos. Mais de 30 milhões de mortes em excesso, centenas de milhões incapacitados pela COVID longa. Depois, a guerra entre a OTAN e a Rússia na Ucrânia e o genocídio em Gaza. Agora, a guerra contra o Irã. Nunca conhecemos um mundo sem guerra e crise.

No entanto, nossa geração também cresceu em meio ao retorno da luta de classes de massa. A onda global que se iniciou em 2019 — os Coletes Amarelos na França, as revoltas no Chile, no Iraque, no Irã, em Hong Kong, na Argélia, no Sudão e no Equador — marcou o início de um novo período. Desde então, os jovens têm tomado as ruas contra o genocídio em Gaza, contra o serviço militar obrigatório e contra os cortes sociais. Em 28 de março, 8 milhões de pessoas participaram das manifestações “No Kings”, o maior protesto de um único dia da história dos Estados Unidos.

Manifestantes pró-Palestina durante um protesto em Madri, na Espanha, em 4 de outubro de 2025, exigindo o fim da guerra contra Gaza. [AP Photo/Bernat Armangue]

Mas esses anos também revelaram uma lição decisiva. Sem uma perspectiva socialista revolucionária, os movimentos de massas são desviados, reprimidos e absorvidos pelos partidos burgueses. A questão não é se devemos lutar, a questão é como e sobre qual base.

Há apenas uma resposta: voltar-se para a classe trabalhadora, a única força social com poder para acabar com a guerra e o capitalismo. É por isso que dizemos aos jovens de todo o mundo: estudem o marxismo. Estudem as lutas revolucionárias do século XX. Extraiam as lições de suas derrotas e vitórias. Juntem-se à JEIIS e construam as seções da Quarta Internacional em seu país.

A luta contra a guerra, a luta pelo nosso futuro, é a luta pelo socialismo. Não há outro caminho a seguir.

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