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O papel do imperialismo australiano na guerra contra o Irã e a China

Estamos publicando a seguir o discurso proferido por Cheryl Crisp, secretária nacional do Partido Socialista pela Igualdade (Austrália), no Ato Online do Dia Internacional dos Trabalhadores de 2026, realizado pelo Comitê Internacional da Quarta Internacional (CIQI) e pelo World Socialist Web Site (WSWS) em 1º de maio.

Discurso de Cheryl Crisp no Ato Internacional Online de Primeiro de Maio de 2026. Os discursos foram traduzidos para 14 idiomas, incluindo o português.

Neste Primeiro de Maio de 2026, em nome do Partido Socialista pela Igualdade na Austrália, envio nossas saudações revolucionárias a todos os trabalhadores e jovens do mundo inteiro.

A guerra contra o Irã é um ponto de inflexão na política mundial. Isso fica demonstrado pelo fato de que todas as potências imperialistas estão envolvidas, incluindo a Austrália, que antes era apresentada como um país distante dos acontecimentos geopolíticos globais.

O governo Trump está determinado a usar todos os meios necessários para superar o declínio da hegemonia do imperialismo americano, subjugando ou, se necessário, erradicando os países e as forças que se interpõem em seu caminho. O que não conseguiu alcançar por meio do poder econômico, tenta alcançar por meio da força militar. As guerras travadas contra o Iraque, o Afeganistão, a Síria, Gaza e o Irã tiveram como objetivo garantir o controle do abastecimento de petróleo. Mas o alvo final é a China, que os EUA consideram seu principal rival econômico e estratégico.

Pine Gap, na região central da Austrália, nos arredores de Alice Springs. [Photo: "Pine Gap from northeast, Felicity Ruby, 23 January 2016" by Felicity Ruby / CC BY 4.0]

O governo trabalhista australiano tem estado entre os defensores mais rápidos e explícitos dos ataques ao Irã. Instalações australianas como Pine Gap e outras bases conjuntas integradas à máquina de guerra dos EUA têm fornecido dados de alvos e inteligência para as bombas e mísseis que caem sobre o povo iraniano.

O apoio do Partido Trabalhista à guerra em curso é indissociável de seu apoio ao militarismo dos EUA em todo o mundo, sobretudo contra a China. Ele está alinhando o território australiano e sua população aos planos de uma guerra em grande escala dos Estados Unidos contra a China, o que significaria uma catástrofe nuclear. Isso está sendo feito em condições em que quase 70% da população se opõe à aniquilação de Gaza por Israel e 72% se opõem à guerra contra o Irã. Isso apenas destaca o abismo entre o programa do governo e a classe trabalhadora.

A oposição à guerra se estende à outra guerra — aquela que está sendo travada pelo governo trabalhista em nome da classe capitalista contra a classe trabalhadora. O Partido Trabalhista aumentou os gastos militares anuais desde 2022 de US$ 48 bilhões para US$ 60 bilhões. Em abril, anunciou mais US$ 53 bilhões para a próxima década. O programa de submarinos nucleares da AUKUS custará US$ 368 bilhões ao longo de 30 anos. Como esse aumento maciço nos gastos com a guerra será pago? O governo respondeu a essa pergunta na véspera do orçamento de maio.

O vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa da Austrália, Richard Marles, ao centro, discursa enquanto o secretário de Defesa Pete Hegseth, à esquerda, e o secretário de Defesa britânico John Healey, à direita, ouvem, durante a reunião dos ministros da Defesa da AUKUS no Pentágono, em Washington, em 10 de dezembro de 2025. [AP Photo/Mark Schiefelbein]

Foi anunciado o maior corte de todos os tempos em um programa governamental. Um total de US$ 35 bilhões será cortado do Programa Nacional de Seguro para Pessoas com Deficiência, que apoia e trata pessoas nessa condição. Este é apenas o começo dos cortes, com 160 mil pessoas sendo excluídas do programa e 16% dos pagamentos aos demais beneficiários sendo reduzidos. Isso resultará em sofrimento, miséria, falta de moradia e mortes prematuras. E este é apenas um programa. Todos os programas sociais sofrerão cortes no orçamento a ser apresentado em algumas semanas. Todo o peso da crise capitalista recairá sobre a classe trabalhadora, em meio a um aumento no custo de vida.

Com os sinais de uma recessão iminente, o nível real de desemprego já é de 10,5%, com o subemprego em 10,4%. Isso significa que 20% da população não consegue encontrar trabalho ou não recebe horas de trabalho suficientes para se sustentar.

A crise social está alimentando uma crise política. Pela primeira vez na história, os dois partidos da classe capitalista australiana estão se desintegrando. Nas eleições federais de 2025, o Partido Liberal obteve seu menor número de votos desde que foi fundado em 1944. O Partido Trabalhista, no entanto, não foi o beneficiário, voltando ao poder com o segundo menor número de votos desde 1901. Em meio ao colapso dos liberais, setores da elite dominante estão se voltando para o Partido Uma Nação, de extrema direita e anti-imigrante. Ele é substancialmente financiado por Gina Rinehart, a pessoa mais rica da Austrália e apoiadora do MAGA. Isso é um alerta de que se preparam medidas ditatoriais e autoritárias.

Mas essas medidas já estão sendo implementadas pelo Partido Trabalhista. Ele aprovou uma lei para criminalizar organizações políticas por suposto “discurso de ódio” e está liderando uma campanha para proibir protestos e slogans como “globalizar a intifada” e “do rio ao mar”. Isso não tem nada a ver com o combate ao antissemitismo, mas sim com a repressão da oposição popular em preparação para a guerra.

Manifestantes contra o genocídio em Gaza se preparam para marchar pela Ponte da Baía de Sydney, em 3 de agosto de 2025.

A classe trabalhadora tem uma longa história de oposição à guerra, desde a derrota de dois referendos sobre o serviço militar obrigatório na Primeira Guerra Mundial até a oposição às guerras no Vietnã, no Iraque e em Gaza. Todas as semanas, têm ocorrido protestos contra o genocídio em Gaza, com centenas de milhares participando nos últimos dois anos. A lição é que o protesto por si só, apelando aos próprios governos que cometem crimes de guerra, é uma perspectiva fútil e falida. A classe trabalhadora deve se mobilizar em comitês de base independentes dos sindicatos corporativizados, alinhados com o governo trabalhista pró-guerra e o grande capital. Esses comitês uniriam os trabalhadores e organizariam a oposição à guerra e aos ataques aos direitos e às condições dos trabalhadores.

Estamos testemunhando o colapso não apenas de um país, mas de todo um sistema. Cabe à classe trabalhadora, munida de uma perspectiva revolucionária, pôr fim a esse sistema, deter a descida à barbárie e garantir o futuro socialista da humanidade.

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