Publicado originalmente em inglês em 28 de novembro de 2026
No dia 29 de maio, uma greve geral paralisará grande parte da rede de transportes da Itália pela terceira vez neste mês.
A greve é a mais recente de uma onda de paralisações e protestos em massa que paralisaram a vida pública nos últimos nove meses. Após uma greve geral de um dia em 22 de setembro de 2025, mais de um milhão de pessoas se manifestaram em Roma em 4 de outubro, sob o lema “bloqueiem tudo”, contra a apreensão por Israel do comboio de ajuda “Global Sumud Flotilla”.
Trabalhadores portuários em Gênova, Livorno e Ancona se recusaram a carregar armas destinadas a Israel. Greves gerais contra a austeridade do governo e o orçamento de guerra se seguiram nos dias 28 e 29 de novembro e em 12 de dezembro. Houve então inúmeras paralisações e protestos menores. Em 18 de maio de 2026, sindicatos de base convocaram uma nova greve geral contra a guerra e a austeridade sob o lema “Nem um prego para guerras e genocídio”.
O movimento crescente de oposição de princípio por parte dos trabalhadores de base demonstra o enorme poder da classe trabalhadora italiana. Milhões de pessoas percebem que os bilhões de euros necessários para financiar a guerra da OTAN contra a Rússia na Ucrânia, e para apoiar o genocídio em Gaza e a guerra contra o Irã, são retirados dos salários, da saúde, da educação e das aposentadorias, e elas não estão mais dispostas a tolerar isso.
O orçamento — alvo da onda de greves e protestos — reduz os gastos com serviços sociais, aposentadorias, salários, saúde, educação e transporte, enquanto os gastos com defesa aumentam para atingir a meta de 5% da OTAN. As consequências sociais são devastadoras. O número de pessoas que vivem na pobreza absoluta — aquelas que não têm condições de arcar nem mesmo com o mínimo necessário — já atingiu um recorde histórico de 5,7 milhões, ou 9,8% da população. Com a queda do desemprego, isso significa que cada vez mais pessoas estão trabalhando por salários que não garantem um padrão mínimo de vida.
Em contrapartida, a riqueza e a renda dos ricos aumentaram significativamente. Um imposto de alíquota única para milionários e bilionários estrangeiros, independente de sua renda real, transformou a Itália em um paraíso fiscal para os super-ricos.
A primeira-ministra Giorgia Meloni está, ao mesmo tempo, fortalecendo sistematicamente o aparato estatal para se preparar para um inevitável confronto com a classe trabalhadora. Seguindo o exemplo de seu aliado Donald Trump, ela está lotando os tribunais, as instituições estatais e culturais com partidários leais ao partido fascista, expurgando as universidades e escolas da influência de esquerda, reforçando as forças de repressão e, por meio de uma política de deportação feroz, alimentando o racismo e a xenofobia. O perigo de uma ditadura fascista é real.
Os inimigos políticos da classe trabalhadora italiana
O sucesso na luta contra a austeridade e a guerra exige, portanto, claramente a derrubada do governo Meloni. Isso levanta com urgência a questão da adoção de uma perspectiva socialista e anticapitalista, que começa com a ampliação sistemática da luta contra os sindicatos tradicionais e os partidos de oposição de fachada que bloqueiam, a cada passo, qualquer luta contra o governo e a classe dominante.
Foram as políticas contra os trabalhadores dos partidos pró-capitalistas nominalmente de “esquerda”, dos sindicatos tradicionais e de seus defensores políticos “radicais” que abriram caminho para a chegada de Meloni ao poder. À medida que crescia a indignação com as políticas de direita desses partidos e sindicatos e eles perdiam o controle da crescente resistência social, a burguesia italiana recorreu ao partido fascista Fratelli d’Italia (Irmãos da Itália), que em poucos anos se tornou o partido mais forte, com mais de 25% dos votos.
Quando a federação sindical CGIL, ou ocasionalmente a CISL e a UIL, protestam hoje contra o orçamento de austeridade do governo, fazem-no apenas para desviar a ira dos trabalhadores para canais que não ameacem o regime capitalista.
Quando os sindicatos de base (sindacati di base) vincularam a resistência ao orçamento de austeridade à oposição ao genocídio em Gaza e ao rumo de guerra do governo, e convocaram uma greve geral nos dias 28 e 29 de novembro de 2025, a CGIL sabotou essa iniciativa convocando sua própria greve duas semanas depois, que se limitou a exigir mudanças modestas na lei orçamentária. A CGIL estava determinada a garantir que a resistência à guerra e ao genocídio não se transformasse em um movimento político unificado contra o governo Meloni e o capitalismo.
Tal como no passado, a direção da CGIL está novamente trabalhando em estreita colaboração com o Partido Democrático (PD) e o Movimento Cinco Estrelas (M5S) para conter a luta de classes, apresentando-os como uma alternativa a Meloni. Mas, caso esses partidos voltem ao governo, darão continuidade às políticas de Meloni: apoio à OTAN, ampliação do aparato militar e cortes nos serviços sociais. Isso é confirmado pelo histórico de seus partidos irmãos em toda a Europa, seja o Partido Trabalhista britânico, o SPD alemão ou a coalizão PSOE-Sumar espanhola, que seguem todos o mesmo rumo de direita.
O mesmo se aplica aos partidos nominalmente da esquerda “radical”, como a Sinistra Italiana (Esquerda Italiana) e os Verdes. Eles servem de fachada política para o PD e os sindicatos, expressando indignação com as injustiças sociais, mas recusando-se a lutar por uma ordem social diferente. Esses partidos pseudoesquerdistas não representam os interesses da classe trabalhadora, mas sim dos membros abastados da classe média e dos burocratas sindicais que veem seus privilégios ameaçados por um movimento independente da classe trabalhadora.
O que isso significa quando a pseudoesquerda chega ao poder foi demonstrado pelo Syriza na Grécia, pelo Podemos na Espanha e pelo Die Linke em vários estados federais alemães, que abandonaram sua retórica radical e impuseram os ditames do FMI, da União Europeia e dos bancos contra a classe trabalhadora.
Aprofundar a rebelião das bases!
Para derrotar Meloni, os trabalhadores que lutam pela independência política da burocracia sindical e dos partidos parlamentares devem aprofundar sua luta por meio da criação de comitês de base em todos os locais de trabalho, portos, escolas, centros de logística e bairros da classe trabalhadora.
Esses comitês podem unir todos os trabalhadores dispostos a lutar. Devem ser democráticos e derivar sua autoridade da participação direta dos próprios trabalhadores. Acima de tudo, os comitês de base devem guiar-se pelo princípio socialista de que os interesses da sociedade e da classe trabalhadora têm precedência sobre as exigências de lucro das corporações e devem defender cada local de trabalho, cada conquista social e cada direito democrático.
Já estão surgindo condições favoráveis para que essa luta contra a austeridade e a guerra seja travada, não apenas na Itália, mas em nível internacional.
O governo Meloni faz parte de uma ofensiva europeia e global com a qual a classe dominante está respondendo à crise do capitalismo e se preparando para guerras imperialistas. Trabalhadores na Alemanha, França, Reino Unido, Estados Unidos e em todo o mundo enfrentam os mesmos ataques. Por toda a Europa, eles já transformaram sua indignação com o genocídio em Gaza em mobilizações operárias, incluindo greves gerais na Bélgica, Grécia e Espanha, demonstrando que a classe trabalhadora possui o poder de parar fisicamente a máquina da guerra imperialista.
Uma tarefa essencial do movimento de massas emergente é superar a divisão dos trabalhadores por local de trabalho, empresa, setor e país, que é deliberadamente incentivada pela burocracia sindical em nome da “competitividade” — ou seja, dos lucros das corporações. É preciso desenvolver uma contraofensiva internacional: unindo os trabalhadores por cima de todas as divisões na luta por um programa socialista comum.
Para esse fim, o Comitê Internacional da Quarta Internacional (CIQI) lançou a Aliança Operária Internacional de Comitês de Base (AOI-CB) como um meio pelo qual os trabalhadores possam começar a coordenar suas lutas em todo o mundo.
O CIQI é o partido mundial da revolução socialista, fundado por Leon Trotsky na luta contra as políticas contrarrevolucionárias da burocracia stalinista e todas as tendências que historicamente buscaram amarrar a classe trabalhadora ao sistema de lucro capitalista, que é a fonte da austeridade, da reação fascista, do militarismo e da guerra.
Convidamos todos os trabalhadores italianos a entrar em contato com a AOI-CB, a ler o World Socialist Web Site, publicado diariamente em vários idiomas, e a entrar em contato com o CIQI para ajudar a construir sua seção italiana.
