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A crise do regime de Putin e a luta pela verdade histórica

Estamos publicando a seguir o discurso proferido por Andrei Ritsky, representante da Jovem Guarda dos Bolcheviques-Leninistas (JGBL), no Ato Online do Dia Internacional dos Trabalhadores de 2026, realizado pelo Comitê Internacional da Quarta Internacional (CIQI) e pelo World Socialist Web Site (WSWS) em 1º de maio.

Discurso de Andrei Ritsky no Ato Internacional Online de Primeiro de Maio de 2026. Os discursos foram traduzidos para 14 idiomas, incluindo o português.

Quatro anos se passaram desde que o regime de Putin invadiu a Ucrânia. Naquela época, ele acreditava que poderia, com uma ação imprudente e reacionária, apresentar aos países da OTAN um fato consumado e garantir um acordo lucrativo. Mas essas esperanças foram rapidamente frustradas, substituídas pela esperança de que as contradições internas da OTAN lhe permitissem realizar outra manobra. Com Trump no poder, parecia haver nova chance de chegar a um acordo desse tipo.

Mas, no fim das contas, Putin se afundou num atoleiro tão profundo que não há saída. A guerra continua. Russos e ucranianos continuam a se matar em nome de interesses de classe estrangeiros, disfarçados de slogans nacionalistas.

Há quatro anos, meu camarada e amigo próximo, Bogdan Syrotiuk, dirigente da Jovem Guarda dos Bolcheviques-Leninistas, fez um discurso no ato de Primeiro de Maio de 2022. Ele disse: “A invasão mostrou que o regime de Putin não tem uma solução adequada para os problemas que afligem não só a Rússia, mas o mundo inteiro.”

Bogdan Syrotiuk

Por se opor a esta guerra, Bogdan foi preso pelo Estado ucraniano e permanece na prisão há mais de dois anos.

Os acontecimentos acabaram por confirmar a sua posição. Após o fracasso diplomático, o Kremlin está aumentando a pressão sobre a classe trabalhadora. Diariamente, seus membros são doutrinados com a ideia de abandonar seus interesses independentes da oligarquia e submeter-se a “sentimentos patrióticos” para servir ao regime de Putin na linha de frente e na retaguarda.

O rearmamento europeu preocupa a oligarquia russa, que teme uma grande guerra. No entanto, a oligarquia teme ainda mais que o trabalhador russo se lembre de seus feitos revolucionários do passado. O espectro da revolução está assumindo forma material na figura de trabalhadores e soldados russos insatisfeitos, cada vez mais conscientes da falência das políticas do regime de Putin, que estão levando o país ao desastre.

O instinto de classe da oligarquia russa é particularmente evidente na campanha ideológica estatal direcionada para falsificar a história. A história foi transformada de uma ciência em um instrumento de criação de mitos.

O objetivo desta campanha é tornar a história russa estéril, desprovida de contradições internas, lutas de classes e crises agudas. Para forçar a geração mais jovem a acreditar em contos de fadas sobre uma história unida e indivisível da Rússia, transformando-os em cidadãos patriotas que servem incondicionalmente ao regime.

A gradual reabilitação do stalinismo ocupa um lugar especial nesta campanha. Stalin, como o “coveiro da revolução” e chefe da burocracia, inspira Putin e seu círculo íntimo à sua maneira. O Grande Terror que matou centenas de milhares de pessoas, incluindo uma geração de revolucionários, está agora justificado. Monumentos a Stalin surgem por todo o país.

Um monumento dedicado ao “generalíssimo” Stalin em Velikiye Luki.

Entretanto, o Kremlin apresenta falsamente a guerra atual como uma continuação da luta heroica da classe trabalhadora soviética contra a invasão nazista de 1941-1945. Mas esse heroísmo estava enraizado nas conquistas materiais da Revolução de Outubro, que ainda persistiam, e sobre as quais Hitler desencadeou toda a força militar dos nazistas para pôr fim ao Estado operário.

Hoje, a Rússia não é mais um Estado operário degenerado, mas um regime decadente de restauração capitalista. A União Soviética foi destruída, no fim, não por Hitler, mas pela burocracia de Stalin. A guerra atual não serve aos trabalhadores, mas às oligarquias surgidas da contrarrevolução stalinista.

A política militar de Stalin agrada a Putin porque, já então, a burocracia desviava a luta de classes para o nacionalismo. O nacionalismo da burocracia estava ligado ao conceito de “socialismo em um só país” e à luta para preservar seus privilégios. Esse avanço do nacionalismo representou uma traição aos princípios fundamentais do internacionalismo que sustentaram a Revolução de Outubro. Com a invasão da Ucrânia, que provocou uma guerra fratricida entre trabalhadores russos e ucranianos, Putin mantém essa tradição nacionalista reacionária.

No ato de Primeiro de Maio de 2023, junto ao camarada Bogdan Syrotiuk, exigimos o fim da guerra pela união dos trabalhadores russos e ucranianos. Hoje quero reiterar isso. A verdadeira determinação e o heroísmo encontrarão expressão hoje na resistência à falsificação da história e na luta para reviver as tradições socialistas da Revolução de Outubro na classe trabalhadora russa, ucraniana e internacional.

A luta de Leon Trotsky para defender essas tradições das perversões do stalinismo deve servir de exemplo para nós. Graças a essa luta, temos uma bússola que nos ajuda a navegar no presente. Ao defendermos a verdade histórica, preparamos o terreno para lutar sob a bandeira do Comitê Internacional da Quarta Internacional.

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